Olá meninas e meninos
Hoje é um dia muito especial para todos nós, é o Dia das Mães. Na verdade, todos os dias é dia delas.

O que seria de nós sem as nossas mães? Quem me conhece e me acompanha, sabe que eu perdi minha mãezinha há 4 anos atrás, no dia 21/04/09. Minha mãe era linda, loira de olhos verdes, que teve uma doença grave de rins, mas lutou durante uns 18 anos com a insuficiência renal. Ela nunca desistiu tadinha, sempre havia a esperança de fazer transplante de rins (e não, antes que alguém me pergunte, eu não era compatível, infelizmente), mas depois que algumas taxas do organismo dela subiram muito, os médicos disseram que ela não poderia mais fazer transplante, pois daria rejeição.
Depois dessa notícia, ela entregou os pontos, não tinha mais esperança. Sempre quando ela estava mal e sentia muita dor, ela pedia a Deus para levá-la embora. E eu, via tudo e nada podia fazer para ajudá-la. É muito ruim a sensação de ser impotente diante de uma situação tão difícil e delicada.
Mas vocês devem estar se perguntando: Pra quê eu estou dizendo tudo isso? Pra nada, só quis mostrar um pouco mais de mim, e dizer que assim como eu, outras pessoas também perderam suas mães. A Andreza Goulart (um beijo linda) perdeu a mãe dela também por problemas renais, e nunca é fácil viver sem elas. É um vazio que nada no mundo preenche, e hoje, nesse dia exclusivamente dedicado a elas, estamos aqui pensando nas nossas mães que não estão mais pertinho da gente, enquanto muitas pessoas brigam, tratam mal, xingam e não dão valor às suas, que estão vivas, e que por pior que os filhos sejam, nunca deixam de nos amar, de se preocupar, de se dedicar incondicionalmente, mesmo que o filho não mereça ou não faça por onde.
Eu não sou e nunca fui perfeita, eu brigava com a minha mãe sim, #quemnunca? Quem de nós nunca agiu sem pensar e disse coisas para se arrepender depois? Os namoradinhos que ela não aprovava, que eu achava que era por birra, na verdade não eram as pessoas certas. As roupas que eu escolhia e ela não aprovava, na verdade ela me conhecia tanto que sabia que não tinha nada a ver comigo e que eu não me sentiria bem.
E quando eu gastava mais do que podia do meu salário, quem me dava dinheiro era ela, quem me socorria sem eu pedir. Quantas vezes fui trabalhar a pé por que estava sem 1 real para colocar na minha moto. Na época eu não tinha cartão de crédito, não tinha nada, muitas vezes pagava as contas e não sobrava nada. Ficava esperando até o próximo mês. Mentia para ela, dizendo que eu precisava me exercitar, e quando eu chegava em casa, tinha um dinheirinho em cima da minha mesinha, com um bilhetinho que era para eu colocar gasolina. Ai de mim se eu recusasse.
Esse ano, em agosto, será a minha formatura, e o sonho dela era me ver formada. Assim como muitos outros sonhos que eu não consegui realizar enquanto ela estava aqui. A compra do meu apartamento, como ela seria feliz morando aqui comigo. Ela sempre quis morar em uma casa bonita, novinha. E o meu casamento? Ela sabia que não iria viver muito tempo, e não queria me deixar sozinha. O sonho dela era me ver casada também. Por isso ela implicava quando eu arrumava uns namoradinhos que não tinha futuro. Ela queria me ver casada, encaminhada, vocês entendem?
Sei que esse texto está muito grande, e muito cansativo, mas se você leu até aqui, muito obrigada por perder esse tempinho aqui comigo tá? Vou parar por aqui.
Quando eu fazia faculdade de Letras, eu tinha uma professora que eu detestava. Ela também não tinha mãe (mas eu tinha). Um dia, ela nos mostrou esse poema de Carlos Drummond de Andrade, e disse que era o poema da vida dela, pois falava de mães, e mesmo ela sendo uma bruxa, me sensibilizou ao falar da falta que ela sentia da mãe dela. Eu chorei junto com ela, pois minha mãe já era doente, e só de pensar na hipótese de não tê-la mais comigo, comecei a chorar na sala.









